Tanto no Brasil quanto nos demais países do mundo, a Psicanálise é exercida livremente (não é regulamentada), contudo é regida por critérios éticos bastante rígidos e bem definidos. No Brasil, seu exercício se dá de acordo com o artigo 5.º, incisos II e XIII da Constituição Federal.

Sobre a legalidade da prática profissional psicanalítica, acrescenta-se ainda o Parecer do Conselho Federal de Medicina, Processo Consulta 4.048/97 de 11/02/98. Parecer 309/88 da Coordenadoria de Identificação Profissional do Ministério do Trabalho. Parecer n.º 159/2000 do Ministério Público Federal e da Procuradoria da República do Distrito Federal, e Aviso n.º 257/57, de 06/06/1957, do Ministério da Saúde, este último como marco histórico.

A Psicanálise é uma ocupação reconhecida pelo Ministério do Trabalho Brasileiro, sendo classificada como parte da Família Ocupacional 2515 (Psicólogos e Psicanalistas), registrada sob a CBO (Classificação Brasileira de Ocupações) n.º 2515-50, definida como atividade de profissionais que: estudam, pesquisam e avaliam o desenvolvimento emocional e os processos mentais e sociais de indivíduos, grupos e instituições, com a finalidade de análise, tratamento, orientação e educação; diagnosticam e avaliam distúrbios emocionais e mentais e de adaptação social, elucidando conflitos e questões e acompanhando o(s) paciente(s) durante o processo de tratamento ou cura; investigam os fatores inconscientes do comportamento individual e grupal, tornando-os conscientes; desenvolvem pesquisas experimentais, teóricas e clínicas e coordenam equipes e atividades de área e afins.

A Prática Psicanalítica leva em consideração uma arte um pouco perdida na nossa contemporaneidade que é a questão do relacionamento.

Freud fez uma observação fundamental: para se transformar a estrutura psíquica de uma pessoa é necessário levar em consideração os mesmos elementos que formaram essa estrutura psíquica. Nossa estrutura é formada dentro de um relacionamento que nos dá elementos de como interpretar a realidade.

O processo psicanalítico visa a revivência disso, para que usando a mesma estrutura emocional que nos dá formação à nossa formação, seja possível desencadear uma transformação. A diferença é que antes, essa pessoa que servia de referência nesse relacionamento tinha certeza de que sabia a verdade, e o psicanalista tem certeza de que não sabe.

Estamos numa época muito rica em recursos técnicos e muito pobre em elementos que embasem nossos relacionamentos. É comum pensar que os relacionamentos dão-se de forma instintiva, que naturalmente sabe-se o que fazer, na sexualidade, no cuidado com os filhos, nos relações de trabalho. O que não é verdade porque somos seres culturais. Nada do que é humano é desprovido de cultura.

Então a Psicanálise vem como uma disciplina que nos dá elementos para refletir sobre a nossa capacidade de relacionamento e de como esse relacionamento nos influencia no nosso organismo, na nossa saúde, na nossa capacidade de tomar decisões, no nosso estar no mundo.

Depois da luta pró sobrevivência, o relacionamento é o elemento que mais nos constitui, nos forma como sujeitos. O conhecimento, a beleza, a tristeza e a guerra se dão dentro de relacionamentos. Nesse sentido, a Psicanálise é extremamente atual, por ser uma disciplina que reflete sobre como nossos relacionamentos nos formam, nos constituem.

Como Freud trata de questões muito incômodas, com o a existência do Inconsciente e a Sexualidade, a compreensão dele sempre esbarra em questões pessoais, em construções morais. As pessoas têm dificuldade de entender que a proposta de Freud é uma teoria do funcionamento mental.

As bases nas quais ele se estabelece, são bases humanas comprovadas historicamente. Elas não são subjetivas. Mas ao mesmo tempo é fácil de entender o porquê do quando a sua fala é tão pouco compreendida: Freud responsabiliza o nosso percurso, a nossa história, a nós mesmos, pela nossa vivência. Diferente dos outros autores, ele não nos desculpa.

A regra internacional diz que qualquer pessoa que tenha curso superior pode tornar-se Psicanalista. Ao contrário do que a maior parte das pessoas pensam, a Psicanálise é uma disciplina independente, então não é necessário uma formação psicológica, nem médica para se tornar um Psicanalista.

O necessário é que o profissional seja graduado, com gosto apurado pela leitura e principalmente muito interesse, muita curiosidade sobre o funcionamento humano. A Psicanálise é uma disciplina de estudo do funcionamento da mente, então ela contribui muito acentuadamente para diversas áreas de trabalho: Sociologia, Antropologia Administração, profissionais em processo de tornarem-se líderes ou Coachings.

Permite entender o processo emocional, entender o que é anterior ao processo de educação das pessoas, e então contribuir profundamente para excelência em diversas áreas profissionais.